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  • Talita Gantus

A cidade sussurra

Atualizado: 31 de Mai de 2020

Na cidade, nos pedestres que andam de passagem, nos deuses, nos transeuntes. Onde está o nosso olhar? Capitalismo, neurose, a ansiedade que agoniza diante da mediocridade. Eles querem acabar com tudo, mas poesia não tem fim, por mais que os transeuntes tenham. Mata-se a cidade mas não se calam as empenhas dos muros grafitados que gritam a realidade. As cidades existem pelo lado de fora e pelo lado de dentro. As fumaças negras dos carros que sobem sob o céu azul sobre nossas cabeças, elas não têm fim. Já as crianças que não têm escola têm seu fim predestinado e servem de sacos de pancada ao sistema que responde com violência e paixão, exercício para o impensável. As cidades estão a postos e essas crianças também. O dia a dia revela o grão, o pão e o chão de quem dorme da rua e não tem nada disso: nem grão, nem pão e nem chão. Os corpos caídos pelas calçadas não nos pertencem. Os necessitados mortos-vivos são os outros. As imagens retiradas da cidade são um veredicto de recortes que nos representam, embora gostaríamos que fosse diferente. Os monstros, os deuses e os transeuntes. Onde mesmo está a nossa preocupação? Dentro e fora da imagem vazada é a cidade quem vê. A cidade tem alma e sussurra baixinho: ou você percebe e me decifra, ou te devoro em trinta segundos.


Foto: Talita Gantus

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