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  • Talita Gantus

Aborto


Foto: Helena Zelic



Uma mancha de sangue lhe enfeita entre as pernas Um órgão oprimido e subnegado Um gozo contido lhe julga o prazer Um gemido mordido lhe foge da boca Um grito engasgado de dor e sofrer.

Uma semente plantada lhe condena ao dever Vagos sonhos insinuam esperança Ela, mulher, em prantos já ouve O choro daquele à quem hoje nega O doce e amargo direito de nascer.

Deitada no leito frio sangrava Nascera mulher Não podia escolher

Agora era morta O sangue esvaía.

E atrás da hipocrisia A moral sobressaía E pra sua vizinha Que julgava Mas seguia Aquele feto valia.

Só não valia ela E a vida dela se ia Quem condenava, seguia E agora, ela sumia Era morta Era número.

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© 2020 por Talita Gantus de Oliveira

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