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  • Talita Gantus

Quanto VALE?  

Uma mancha marrom imensa

Num país marcado essencialmente por cavas lavradas e pastos latifundiários

É tinta barata abundante.

Matéria-prima.

Delírios e desastres são interpretados em livres manipulações digitais que enganam no fundo eles mesmos

Navegamos todos no mesmo barco.

Não existe vida num planeta morto

Não existe fora num sistema fechado

Elementos misturam-se em uma tela dividida

O que serão?

Commodities!

Vidas simples não importam, mas todos param para ver

Olhares sensibilizados pelo susto deixam marcas que logo são esquecidas pela burguesia que dita as regras

Corações intocáveis!

O que está sendo feito com os povos originários desta América do Sul?

Tratados como colonizados temos sido escravizados

Para sustentar a mesma freguesia burguesa que desmata e mata nosso cerrado para alimentar bois que deitarão em seus pratos do outro lado do mundo.

O que faremos com a história desta América do Sul quando não houver mais nenhum futuro para eles

Que somos todos nós?

Uma bandeira flameja nas mãos de um homem nu que corre da onda reacionária a que estamos forçados a viver

Corre para onde?

Para o nada

Pois é isto que resta àqueles que não herdarão os lucros das mineradoras e dos latifúndios que só deixam devastações que não salvarão ninguém.

Quanto VALE uma mancha marrom num país da América do Sul?

Quanto VALE a morte num planeta vivo?



Foto: Danilo Verpa

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